quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

Dinheiro pra quê?

Fico me perguntando: "Será que te ensinei qual o valor do dinheiro?" Talvez eu mesma não desse tanta importância para os vários cheques que passei, ou os débitos que continuo efetuando em uma conta, mais negativa que positiva.
No entanto, nunca cheguei aos extremos, como está você. Com apenas 25 anos e devendo pra deus e o mundo, tudo por causa de um financiamento que você mal consegue pagar. Aí vem a pergunta, mas serão apenas as prestações do carro? Terão outros motivos por trás que não consigo ou não quero me dar conta? Com o que afinal você está gastando o seu salário? Quando você vai resolver esses problemas, meu filho? Quando vai deixar a sua mãe mais tranqüila? Se eu pudesse fazer o tempo voltar, ah, eu teria sido uma mãe mais rígida e mais ereta. Não é fácil ter nascido nos anos 60, nem lá nem cá. Ao mesmo tempo tudo lá. Aonde? Na contra-mão de meus pais! Quê pena, eles souberam poupar. E eu não soube te ensinar a gastar... Tomara que em 2008, agente aprenda afinal a usar o dinheiro com responsabilidade!

quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

MAMMA SIU E SEUS FILHOS


Eu tenho que me orgulhar da minha família. Vejam que filhos lindos que coloquei no mundo! Não é uma tarefa fácil educá-los, mas dá prazer quando constatamos que eles estão crescendo e tomando rumo. O carinha da direita acabou de completar um quarto de século, ou seja, 25 anos. A trancos e barrancos está virando homem. Esta semana, por exemplo, depois de mais de um mês morando sozinho, trouxe os lençóis pra lavar. Menos mau. Pior o colega que dorme direto no colchão. Meu filho, pelo menos, está se tocando de coisas que ele não se importava quando morava com a gente. Por exemplo: como é importante a privacidade!! Como é bom ter as suas próprias coisas e saber que nenhum abelhudo vai colocar a mão. De resto, continuo preocupada com a sua vida desregrada e os seus hábitos insalubres. Sei lá, no final das contas, o meu papel é rezar, e muito para que todas as besteiras que imagino sejam apenas pesadelo. A menininha da esquerda tem dois anos e sete meses, ainda não me dá essas dores de cabeça. Ai.... ser mãe é sofre no paraíso!!!

terça-feira, 13 de Novembro de 2007

Ele, o carinha aí embaixo, saiu de casa

Gente, eu sumi porque fui viajar com o resto da família. A novidade é que um pouco antes de ir sair de férias, o carinha me informou que havia encontrado um apê por um bom preço. Fiquei feliz, porque afinal das contas ele vai fazer 25 anos e, para a minha concepção de família, já estava na hora de ele buscar o seu canto e descobrir a vida. No meio da viagem, depois de alguns dias sem notícias do sujeito (só pra variar, pois celular nunca atende ou cai na caixa postal), recebo a notícia de que ele já estava se mudando de casa. Foi aí que a coisa começou a pegar! Apesar de moderna e liberal, apertou meu peito de mãe. Quando voltei para casa e vi aquele quarto vazio, o nó se transformou em um baita rombo e fiquei na maior deprê. Na semana seguinte, meu filho me levou para conhecer o seu apartamento. Confesso que tive vontade de pedir para ele voltar! Uma bagunça, uma sujeira, um monte de louça suja na pia, a torneira pingando... mas o canto dele até que arrumadinho, um milagre! Aquela coisa de mãe que acha que não há melhor lugar no mundo para o seu filho que a própria casa. Agora, que já passou um tempinho, acho que ele está bem! Afinal, está batalhando pelo seu espaço e aprendendo a dividir com os amigos!!

quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Garota parafina

Gente, nasci nos anos 60, rock and roll, Woodstock, feminismo, Jovem Guarda, Os Mutantes, AI5, homem na lua..., cresci nos 70, muito pinga e cerveja, surfe, tatuagem, tropicália, repressão, rock progressivo, marijuana, litoral norte... Virei adulta nos anos 80, sexo, aids, cocaína, LSD, computador, eletrônico, violência, Cazuza, Marina mais cerveja, litoral e surfe. Era de se esperar que essa garota da foto não se casasse com um burguesinho qualquer para satisfazer família. Não vou me recriminar a vida inteira por ter sido mãe solteira e ter criado um filho sem pai. Quando gerei o meu bebê, eu tinha 21 anos, eu ainda era uma menina. Hoje, sou uma mulher de 47 anos sã e salva, graças a deus! Um tanto quanto neurótica, cá entre nós, mas que sobreviveu e constituiu família, não deve nada, tem profissão e ainda espera muito da vida. Eu tenho orgulho de meu rebento e de mim mesma. Gostaria que ele também tivesse orgulho de mim!

terça-feira, 25 de Setembro de 2007

De cabelo em pé

Olha só cumé que eu tô, porra, puxando os cabelos! O carinha, meu filho, não aparece em casa desde sexta de madrugada! Primeiro, ele deixa um bilhete em cima de uma mesa repleta de papéis, que eu só fui encontrar no domingo a noite. Antes disso, tive que usar o meu faro de investigadora e vasculhar a conta telefônica para chegar a alguém que me desse notícias dele. Nesse bilhete, ele dizia que voltaria no domingo. Na segunda às 17h, nada. Fui obrigada a ir até o trampo do sujeitinho para conseguir alguma informação sobre o paradeiro dele. Não que eu seja dessas mães que gostam de pegar no pé do filho, mas depois de um tempo você começa a pensar o pior. Em um país como o Brasil e um moço como ele, que mais parece estar no mundo da lua, após 72 horas sem notícias começa a preocupar! Afinal, sou mãe. E mãe não quer que o filho desapareça do mapa! O pior é que eu cheguei lá ,e ainda tive que ouvir de um colega dele: "Ih, já fiz muito isso!" Não entendi se ele estava querendo me confortar ou me assustar mais ainda. Finalmente, encontrei a moça bela que me daria as pistas de onde ele estava. Mas a minha cara ficou de tacho, ao saber que, no domingo, depois do sítio ele foi direto para a praia, na casa da minha mãe. Custa ligar??? Pra mim isso é sadomasoquismo! O nego gosta de ouvir a mãe enchendo o saco. Será que alguém me entende?? Haja coração!

segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Há 10 mil anos atrás

Essa sou eu há 26 anos atrás. Tinha 20, 21 anos. O sorriso sincero e a postura ereta escondiam um solidão e uma tristeza profundas, que me acometiam desde os poucos anos de vida. Não sei explicar porquê mas sempre me senti de alguma maneira excluída da sociedade. Talvez porque eu fosse diferente das outras crianças, dos outros adolescentes. Filha e neta mais velha, me incumbiram de ser o exemplo da família.

Sempre fui muito adulta para a minha idade e pensava no mundo e no ser humano com pesar... parece até que eu já sabia o que estava por vir, que os dias iam ser difíceis... Aos 14 anos já escrevia sobre a humanidade e suas dores.

Esse tempo da foto eu era outra pessoa. A pessoa que me transformou no que sou hoje. O acidente que quase me tirou a vida com 18 anos e o fato de me tornar orfã com 19 anos anularam as minhas referências. E a menina boazinha virou má! Um péssimo exemplo!!!

Eu era a filha que todo o pai queria ter: boa aluna, responsável, obediente. Depois disso, comecei a ver o que estava a minha volta e a fazer coisas abertamente, que antes fazia escondida de meus pais. O mundo não era cor de rosa e eu não era a princesa que todos me treinaram para ser... Aliás de princesa eu não tinha nada, eu era uma pessoa cheia de recalques, me sentia inferior do que os outros... Tinha tantas dificuldades. De me expressar, de me relacionar... Me achava feia, desengonçada... como qualquer adolescente.

Depois disso passei a ser mais verdadeira e a me entregar de cabeça para a vida. Comecei a viver a Siu que estava sufocada dentro de mim pelos anseios de meu pai, pelos planos de minha avó, pela repressão de minha mãe egoísta. Depois disso, passei a ser a irmã pecadora, doidona e imoral. Depois disso, passei a ser a amiga porra-louca.

Abandonei a faculdade que eu amava tanto, por questões de princípios. Nenhum amigo na época entenderia o que eu compreendi tão tarde e tão cedo sobre a vida. Eu era uma estranha no ninho. E mesmo sendo uma aluna dedicada, deixei a arquitetura porque eu não queria projetar poleiros para homens (como é hoje). Eu queria construir um mundo melhor! Um espaço adequado ao ser humano. E rejeitei a idéia de continuar uma universidade que marginalizava pessoas como eu, que usava sandália havaiana, fumava maconha, não se olhava no espelho e não era rica.

Fui a luta! Queria trabalhar, cuidar de mim. Ganhar meu dinheiro. Arrumar a minha casa. Fazer a minha própria comida.... tudo o que uma garota burguesinha não sabia fazer! E foi então que conheci o pai do meu filho. Foi bem nessa época de entre-safra. Quando o meu pé não estava nem lá nem cá. Eu ainda era dependente de minha mãe, uma pessoa que não sabia se virar sozinha e tinha acabado de receber o seguro de vida de meu pai para nos manter. Ela queria me deter! Minha mãe relutou em me deixar virar adulta! E eu era uma medrosa!

sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

A viagem da fumaça

Qualquer tipo de fumaça nos leva a outros níveis de consciência. Comecei a fumar com 9 anos. Era lindo fumar. Minha avô fumava e eu achava tão chique! As meninas do ginásio podiam fumar no banheiro. Eu também queria fumar.

Acho que a primeira vez foi em Santos com meu primo Marcos na janela do quarto verde. A segunda foi em um navio. Muito emocionante, eu e meu primo Flávio estávamos hospedados em uma cabine ao lado da de minha avó, que nessa época fumava cigarros importados. Aproveitamos a nossa "liberdade" e filamos um cigarrinho da Ju. Depois disso não parei mais de fumar. Até no meu diário tinha cigarros grudados como lembrança de algum evento.

Aquela fumaça dava uma certa doeideira. Me deixava zonza... eu gostava de ficar tonta.... sei lá porque. O mesmo acontecia com a cuba libre, que depois virou cerveja, e depois bebidas mais fortes. Também na minha infância eu apreendi a bebida como um hábito chique. Na mesma casa da minha avó em Santos, tinha um bar maravilhoso, repleto de bebidas das mais variadas, copos de cristal. Meus avós gostavam de jogar, lembro-me do copo de uísque e do cinzeiro com bitucas de cigarro.

Dali pro baseado e outros tipos de drogas foi um pulo. Sempre em busca dessa sensação de flutuar. Com tantas informações sub-liminares, seria difícil eu não ter caído na vida. A sorte é que eu era uma garota estruturada internamente. Com o tempo, a comunicação passou a ser mais direta, fui mudando de ambientes e eu me toquei que tudo isso era uma fria. Hoje, as pesquisas científicas chegam ao nosso alcance com muita facilidade. O ser humano passou a se preocupar com o equilíbrio e não apenas quebrar barreiras. Eu entrei nessa onda, ou pelo menos tento ser uma pessoa saudável. Não queria machucar meu corpo, nem dar trabalho para os meus familiares.

Sem essa de anti-tabagismo. Mas, uma brincadeira como fumar um simples cigarro pode nos levar a caminhos tortos. Como o enfisema pulmonar, que a pessoa fica fraca, sem disposição e vontade para a vida. Em pleno século XXI, que a informação é democrática ser careta e ter a cabeça limpa é uma bio-atitude! Pense nisso!!